JULHO/2000 |
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Semiologia eletrofisiológica
Fernando Soares de Souza Lima* |
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Os fenômenos elétricos que ocorrem no olho foram observados pela primeira vez por Du Bois Reymond, em 1849, ao registrar o potencial de repouso que aparece entre a córnea e o pólo posterior, quando ligado a um galvanômetro. A retina do homem, como a de todos os vertebrados, é uma membrana nervosa carregada eletricamente. As camadas mais externas são eletronegativas e as mais internas são eletropositivas. A córnea herda a eletropositividade das camadas internas, e a região periocular a negatividade das camadas externas. Colocando-se um eletrodo sobre a córnea e um outro eletrodo em um ponto qualquer da região periocular e ligando em seguida a um microvoltímetro, é possível captar uma diferença de potencial de dois a 10 mV entre os dois eletrodos. A diferença de potencial assim obtida é perfeitamente constante, constituindo o potencial de repouso retiniano ou potencial córneo-retiniano ( Jayle, Boyer e Saraco, 1965). |
| Os exames eletrofisiológicos
(PRP, ERG, EOG e PVE) integram a semiologia "funcional"
da retina, ao lado da avaliação do senso morfoscópico
(acuidade visual e teste de Amster), do senso cromático,
do senso luminoso (adaptometria) e da perimetria.
Esquematicamente, podemos resumir: O exame oftalmológico comporta, naturalmente, um duplo aspecto- anatômico (estrutural) e funcional. Este último, que nos interessa mais de perto, é suficientemente complexo e o exame particular da fisiologia da retina, das via ópticas do córtex visual está na ordem do dia. Atualmente, o registro objetivo do PRP, do EOG, do ERG e do PVE é um método de grande interesse clínico, além de ensejar um número sofisticado de pesquisas fisiológicas. A retina tem sua atividade bioelétrica. Mesmo na ausência de qualquer estímulo (ambiente escuro), existe entre sua face interna e externa uma diferença de potencial de alguns microvolts. A corrente elétrica produzida por esta diferença de potencial vai da extremidade dos fotoreceptores (cones e bastonetes) às suas bases, em conexão com as células bipolares. A retina, é portanto, uma membrana carregada eletricamente - as camadas mais externas são eletronegativas e as mais internas eletropositivas. |
| A retina funciona, então,
como centro de um gerador polarizado, em torno do qual se
estende um grande campo elétrico - a eletropositividade
das camadas internas migra para a córnea; a negatividade
das camadas externas o faz para a região periocular.
Todas as células do organismo obedecem as mesmas leis da
eletrofisiologia, e a retina, com suas várias unidades
eletrofuncionais, não fugiria a essas regras. Podemos dizer que o PRP, o ERG, o EOG e o PVE compõem a semiologia objetiva, qualitativa e quantitativa para a exploração funcional da retina (PRP, ERG, e EOG) do nervo ótico, vias ópticas e córtex visual (PVE). Este último é também importante teste para o estudo da função macular. O PRP, ERG e EOG permitem individualizar tanto o comprometimento do sistema fotópico e do sistema escotópico, bem como a alteração preferencial de algumas células retinianas (Muller, bipolares, amácrinas e horizontais). |
Esta
semiologia é particularmente útil em casos de opacificação
dos meios transparentes do olho, tais como leucomas,
opacidades cristalinas associadas à miopia, à distrofia
pigmentária da retina; cataratas, de origem inflamatórias
(cataratas traumáticas ou congênitas) e organizações
vítreas. |
| Nestes casos, a ecografia e a propedêutica eletrofissiológica, principalmente do ERG e EOG, são indispensáveis. A primeira nos fornece dados estruturais, a segunda complementa com informações sobre a funcionalidade da retina. Um ERG extinto ou extremamente subvoltado num olho com catarata e uveíte é sugestivo de graves alterações retinianas, mas deslocamento de retina nestas condições têm pouca chance de sucesso funcional. A seu turno, o PVE confirma sua importância como indicador da função macular, apresentando-se subvoltado e com alterações de latência nos focos centrais. |
* médico do setor de
Eletrofisiologia do Centro Oftalmológico |
Fonte:
Boletim da Sociedade |