JULHO/2000 |
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Anel de Ferrara na cura do ceracotone
| Depois de pesquisar em animais, tais como coelhos, e, mais tarde, em olhos não videntes, o médico mineiro Paulo Ferrara introduziu a técnica do uso do anel de Ferrara em seres humanos para a cura do ceratocone, uma doença que deforma a córnea, pelo uso de lentes de contato. Segundo Ferrara, seus estudos comprovam resultados positivos. Apesar de o tratamento não ser ainda reconhecido pelo Conselho Brasileiro de Medicina, a técnica vem sendo aplicada em alguns casos com sucesso. Ele lembra que o mesmo aconteceu com o uso do laser em cirurgias de miopia indiscriminadamente. O médico mineiro admite que muitos médicos opõem alguma resistência à nova técnica, mas acha que antes devem procurar maiores informações sobre o uso da anel de Ferrara para a cirurgia de tratamento do ceratocone. |
| As pesquisas foram realizadas a partir de 1991, no Hospital São Geraldo, da Universidade Federal de Minas Gerais e, em 1994 a técnica já foi testada em olhos míopes e com astigmatismo. O resultado foi seguro e, a partir de 1996, começou-se a usá-lo com sucesso para corrigir o ceratocone naqueles que não se adaptavam com lentes de contatos. O médico mineiro comprovou que o implante do anel fazia com que a doença, que pode levar à cegueira, não evoluísse, nos tratamentos em pacientes jovens. |
Tratamento em pessoas jovens consegue deter a doença, que pode levar à cegueira |
| Apesar de ainda haver resistência no Brasil, a nova técnica técnica hoje é utilizada em vários países como Argentina, Chile, Portugal, França, China e Estados Unidos. Ferrara vem realizando cursos sobre o método em vários congressos, como no último, ocorrido no Rio de Janeiro, promovido pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia. No evento, manteve contatos com médicos franceses sobre a sua técnica, com uma produtiva troca de informações, devido ao interesse que o Anel de Ferrara vem despertando em médicos de outros países. |
| O ceratocone provoca o afinamento da córnea que fica em forma de cone, com a perda gradativa da visão até a cegueira. A cirurgia, que é muito rápida - leva apenas 10 minutos -, segundo o médico, é possível ser feita em 95% dos casos. "É segura e rápida. Em três ou quatro horas já se percebe a evolução. No dia seguinte, o paciente volta a enxergar muito bem", afirma o médico oftalmologista. A doença é genética e hereditária e a prótese implantada no paciente é de poliometilmetacriloto (acrílico) e uso intra-ocular, informa o médico, que garante que não há rejeição. O único cuidado que o paciente deve ter no pós-operatório é não coçar os olhos. |
| Ferrara considera que os oftalmologistas precisam estar informados sobre a técnica utilizada para poder oferecê-la a seus pacientes com este tipo de problema. "Mesmo sendo um método ainda experimental, que não tem o reconhecimento do Conselho Federal de Medicina", observa, pois a utilização do laser na correção da miopia sofreu o mesmo processo. Paulo Ferrara tem 50 anos, possui doutorado com defesa de tese sobre ceratocone e lente de contato, é diretor clínico do Centro de Oftalmologia Avançada e livre docente do Hospital São Geraldo de Minas Gerais. O ceratocone atinge cerca de 2 mil pessoas e, recentemente, no Rio Grande do Sul, foi realizada uma cirurgia para o implante do Anel de Ferrara, no Instituto de Olhos Santa Luzia de Erechim. A técnica foi utilizada pelo médico Fábio Vaccaro. |